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O cinema está atento à sua privacidade

Se tem uma coisa que, certamente, sempre preocupou o ser humano, essa coisa é a sua privacidade. Em torno do tema “privacidade”, são inúmeros os debates gerados, isso porque empresas e pessoas se veem constantemente acusadas quando o tema é violação desta tal privacidade. Claro que a tecnologia já gerou uma Rede Virtual Privada capaz de proteger nossa tão estimada privacidade e, claro, o cinema também já percebeu a importância do tema.

Fraudes de identidade, invasão de perfil, sequestro de personalidade, são verdadeiras inspirações para a televisão e para o cinema. Que tal conhecer algumas destas produções? Certamente, o entretenimento e a aula serão compensadores.

Claro que as grandes potências mundiais já trabalhavam desde há muito tempo com sistemas extremamente inteligentes, mas daí a, em 1992, surgir uma produção cinematográfica, “Quebra de Sigilo”, tratando de um assunto como privacidade digital, soaria como algo quase profético não fosse o fato de a produção se passar em 1969. Pois é, o assunto já é realidade faz tempo. Os personagens de Robert Redford e Ben Kingsley, Martin e Cosmo, são hackers que se divertem às custas de conservadores que veem suas contas sendo dilapidadas. O destino da dinheirama, contas de grupos contestadores do sistema. A trama vale muito a pena, há um avanço no tempo e os hackers agora assaltam bancos a mando dos próprios banqueiros que visam com isso identificar falhas no sistema de segurança. Não acaba por aí, acreditem.  

“O Jogo da Imitação”, filme de 2014, dirigido por Morten Tyldum, conta a história de Alan Turing,  Durante a Segunda Guerra Mundial, o governo britânico monta uma equipe que tem por objetivo quebrar o Enigma, o famoso código que os alemães usam para enviar mensagens aos seus submarinos. Um de seus integrantes é justamente Turing, interpretado por Benedict Cumberbatch, um matemático de 27 anos estritamente lógico e focado no trabalho, que tem problemas de relacionamento com praticamente todos à sua volta. Apesar disso, Turing logo se torna o líder da equipe. Seu grande projeto é construir uma máquina que permita analisar todas as possibilidades de codificação do Enigma em apenas 18 horas, de forma que os ingleses conheçam as ordens enviadas antes que elas sejam executadas. Entretanto, para que o projeto dê certo, Turing terá que aprender a trabalhar em equipe e tem em Joan Clarke (Keira Knightley) sua grande incentivadora. Trata-se de uma história verídica; Turing é considerado o pai da computação. 

Produção de 2015, o longa “Hacker”, dirigido por Michael Mann, conta a história de um gênio da programação, Nick Hathaway, interpretado por Chris Hemsworth, condenado a 15 anos de prisão por cometer crimes virtuais. Quando parte de um código de computador que ele criou na adolescência é utilizado em um ataque terrorista contra uma fábrica na China, ele é retirado da cadeia pela inteligência estadunidense e, com um um velho amigo, entra em ação para identificar e aplacar o grupo terrorista. Cabe destacar a introdução do filme, uma alegoria que mostra o modo interno de operar um software, comparando a operação ao colapso de um maquinário gigantesco. 

Uma série bastante recomendável para quem gosta do assunto, “Mr. Robot”, produção de 2015, é composta por quatro temporadas. A série conta a história de Elliot, interpretado por Rami Malek, um engenheiro de segurança virtual que, também, atua como hacker. Sua vida sofre uma reviravolta quando é recrutado pelo líder um misterioso grupo, que visa destruir a instituição na qual Elliot trabalha. Motivado por suas crenças pessoais, o protagonista embarca na missão de arruinar a empresa que agora apenas finge proteger. 

O documentário “Privacidade Hackeada”, produzido em 2019, mostra como os dados de oitenta e sete milhões de pessoas foram hackeados do Facebook pela empresa de consultoria Cambridge Analytica, contratada para a campanha presidencial de Donald Trump. O escândalo é contado pela ótica do professor David Caro, que descobriu que seus dados, e de milhares de outras pessoas, haviam sido roubados para a criação de perfis políticos, com o intuito de influenciar as eleições de 2016. Em tempos de redes sociais e polarização política, o roubo e a manipulação de dados pessoais configuram uma grave ameaça à democracia. 

Mais um documentário da mesma plataforma responsável pela produção de “Privacidade Hackeada”, “O Dilema das Redes” (2020) aborda mais a questão psicológica do uso das redes. Implicações sérias como adicção, depressão, conspirações, extremismo, diminuição do limiar de atenção, polarização, bots e deep fakes, cultura dos influenciadores e excesso de informações, eclodem na velocidade da luz nas redes de relacionamento. Fundador do Center for Humane Technology, um dos criadores do documentário e ex-cientista de computação do Google, Tristan Harris, adverte que as gigantes da informática tem a obrigação moral de trabalharem na criação de um sistema de responsabilidade e autoconsciência que faça com que as mazelas sociais fomentadas pelas plataformas sejam, cada vez, mais minimizadas. 

Cada vez mais imersos e por que não dizer dependentes de toda a parafernália online, os filmes e as séries que abordam tal temática, tornam-se muito importantes, pois refletem acerca desta problemática, tão latente e preocupante, tanto para as organizações como para os indivíduos. A segurança digital é a mesma que a proteção das nossas individualidades.

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