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Perfis

Foto de Jean Delannoy

Jean Delannoy

Idade
100 anos
Nascimento
12/01/1908
Falecimento
19/06/2008
País de nascimento
França
Local de nascimento
Noisy-le-Sec, Seine-Saint-Denis

O diretor era odiado pelos críticos da Cahiers du Cinéma, e teve uma larga carreira de filmes irregulares.

O diretor francês Jean Delannoy, apesar de ter vencido o Festival de Cannes em 1946 por Sinfonia Pastoral, entrou mesmo para a história por ter sido saco de pancada da turma inaugural da Cahiers du Cinéma, dando inicio assim à Nouvelle Vague francesa, movimento cinematográfico ao qual ele se opôs, assim como ao cinema de autor, e isso custou-lhe a carreira.

Além de Cannes, que ele venceu adaptando um romance de André Gide, sobre um ministro que se apaixona por uma cega, Delannoy também ganhou prêmios em Veneza e Berlim, como pelo filme Dieu A Besoin des Hommes, uma drama sobre uma comunidade remota que espera por um padre e um impostor assume o posto. É dele também a famigerada versão de O Corcunda de Notre Dame com Anthony Quinn e Gina Lollobrigida, de 1957, baseada no livro de Victor Hugo.

A polêmica envolvendo seu trabalho começou em 1954 quando François Truffaut, então com 21 anos, escreveu seu famoso artigo na Cahiers, "Uma certa tendência do cinema francês", criticando os diretores acadêmicos dos anos 50, citando Delannoy, André Cayatte et Claude Autant-Lara como responsáveis pelo "cinema de qualidade francês" que se fazia na época, com seus finais tristes, clichês aos montes, câmeras enormes andando pesadamente pelo set, adaptações literarias lacrimosas e popularescas, etc. "O pior dos filmes de Jean Renois é melhor que o melhor filme de Delannoy", fulminava Truffaut. Estava nascendo a Nouvelle Vague francesa.

Delannoy respondeu furioso em carta, dizendo que o nivel da critica era o mais baixo que ele encontrou nos seus 20 anos de carreira. Godard, dando apoio ao companheiro de revista, disse que Delannoy carregava uma maleta dessas de executivo para o estúdio, de tão burocrático, e que ele deveria vender seguros, não fazer filmes. Em entrevistas, Delannoy disse que a indústria do cinema, ao dar razão aos filmes da Nouvelle Vague, estava "afundando em infantilismo".

Antes, Delannoy ainda conseguia causar certo alvoroço, como em O Eterno Retorno, de 1948, baseado na historia de Tristao e Isolda, e La Garçon Sauvage, de 1952 (não confundir com o filme de Truffaut), sobre uma prostituta de Marseille e seu filme. Ambos enfrentaram problemas com a censura. Após o quiproquó com a Nouvelle Vague, nunca mais foi levado a sério e sua carreira degringolou, terminando-a melancolicamente fazendo kitsh filmes religiosos, que já incluia Sinfonia Pastoral e Deus Precisa dos Homens.

Em 1988, dirigiu Bernadette, sobre a santa do século XIX, e sua sequência, A Paixão de Bernadette. Em 1995 fez seu último filme, Maria de Nazaré, aos 87 anos. Bem distantes do seu grande sucesso, de 1943, Além da Vida, um dos raros sucessos franceses sob a ocupação alemã, com roteiro de Jean Cocteau. Também dirigiu um dos filmes do inspetor Maigret (Maigret Tend un Piège, 1958), com Jean Gabin, e A Princesa de Clèves, também adaptada por Manoel de Oliveira em A Carta.

Jean Delannoy nasceu em 12 de janeiro de 1908, em Noisy-le-Sec, um subúrbio parisiense. Estudou filosofia na Sorbonne, tendo trabalhado como jornalista, decorador e vendedor de porta em porta justamente de seguros, para um banco, antes de tentar o cinema. Irmão de uma atriz do cinema mudo, começou a carreira cinematográfica como ator. Foi editor de King of the Champs-Elysees, um filme que Buster Keaton realizou na França em 1934. No mesmo ano, dirigiu seu primeiro filme, Paris-Deauville, uma comédia musical. Na carreira que seguiria, fez quase 30 filmes e 12 roteiros.

Filmografia

Título Prêmios Ano Notas
Assassino de Mulheres
adaptação
1958
1946