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Perfis

Foto de Jennifer Jones

Jennifer Jones

Idade
90 anos
Nascimento
02/03/1919
Falecimento
17/12/2009
País de nascimento
Estados Unidos
Local de nascimento
Tulsa, Oklahoma

Mesmo não sendo tão lembrada quanto outras atrizes da sua geração, Jennifer Jones esteve entre as grandes estrelas da Era de Ouro de Hollywood.

Jennifer Jones (cujo nome real era Phylis Lee Yesley) nasceu em Tulsa, no estado de Oklahoma, Estados Unidos. Aos 20 anos, ela já freqüentava o American Academy of Dramatic Arts em Nova York. Lá conheceu o também estudante Robert Walker, com quem se casaria em 1939. Naquele mesmo ano, o casal se mudou para Los Angeles para tentar a sorte no mundo do cinema. A sorte não demorou muito a aparecer e, ainda em 1939, Jones conseguiu integrar o elenco de duas modestas produções: New Frontier, pequeno filme com John Wayne, e Dick Tracy´s G-Men, seriado da Republic Pictures.

Após o começo promissor, os ventos mudaram de lado e Jones não conseguiu um novo trabalho pelos 4 anos seguintes. Durante esse época, trabalhou como modelo e em programas de rádio. Sua vida começou a mudar quando soube que o produtor David O. Selznick, recém liberado da produção de ...E o Vento Levou, estava fazendo testes para a adaptação de uma peça de teatro chamada Cláudia. Jones se submeteu à avaliação, mas não foi escolhida para o papel (que foi parar nas mãos de Dorothy Maguire). No entanto, Selznick não conseguia tirar da cabeça aquela moça morena, de bochechas saltadas e rosto angelical. Mandou chamá-la da volta e resolveu contratá-la por pelo período padrão de sete anos.

A primeira providência que Selznick adotou foi alterar seu nome. Dali em diante, Phylis Lee Yesley só seria conhecida pelas pessoas mais íntimas. Para o resto do mundo, nascia ali Jennifer Jones.

Em 1943, com apenas 24 anos, ganhou o disputadíssimo papel principal do drama religioso produzido pela Fox, A Canção de Bernadette, baseado no best seller de Franz Werfel. Ela interpretava a adolescente doente Bernadette Soubirous que, em 1858, vê a imagem da Virgem Maria na cidade de Lourdes e, por isso, resolve dedicar a ela sua vida tornando-se uma freira. Apesar de ser um rosto novo na indústria, a Academia se rendeu à sua atuação e lhe concedeu o Oscar de melhor atriz daquele ano, batendo concorrentes como Ingrid Bergman (que concorria por Por Quem os Sinos Dobram e não por Casablanca) e Greer Garson (que ganhara no ano anterior, por Rosa da Esperança).

Jennifer Jones era agora uma estrela. Mais que isso, virara uma obsessão para Selznick, que passou a controlar inteiramente a carreira da sua musa. Inevitavelmente ambos se tornaram amantes.

Durante essa fase conturbada da sua vida pessoal, Jones aceitou fazer um personagem coadjuvante no épico de guerra Desde que Partiste, uma espécie de versão americana da história retratada em Rosa da Esperança. A produção, claro, ficou sob a incumbência de Selznick. Seu papel era o da adolescente Jane Hilton, que se via obrigada a amadurecer antes da hora ao perder seu noivo na 2ª Guerra Mundial, interpretado justamente por seu marido, Robert Walker. Se na tela o casal se desmanchava em beijos e juras de amor, na vida real as coisas não iam nada bem. Ninguém desconhecia os problemas de Walker com a bebida. E o relacionamento entre Jones com Selznick só contribuía para que o ator se afundasse ainda mais em sua crise.

A atuação rendeu a Jennifer Jones a indicação ao Oscar de melhor atriz coadjuvante, uma das oito conquistadas pelo filme. Ao contrário do ano anterior, quando saiu da cerimônia com o prêmio, dessa vez Jones viu a estatueta dourada parar nas mãos da sua concorrente Ethel Barrymore, pelo drama Apenas um Coração Solitário.

Em 1945, Jones resolveu dar um fim na sua vida dupla e se separou de Walker (com quem tivera dois filhos). Completamente dominado pelo vicio, ele morreria em 1951, com apenas 32 anos de idade.

O momento profissional de Jennifer Jones não poderia ser melhor. Desde que Partiste fez tanto dinheiro que o seu passe começou a ser disputado pelos estúdios no tapa. Dentre as várias propostas que chegaram à mesa de Selznick, ele optou por um projeto da Paramount, lançado em 1945, chamado Um Amor em Cada Vida, pelo qual ela emplacou sua terceira indicação seguida ao Oscar pelo drama romântico (vencido por Joan Crawford).

No ano seguinte, Selznick a emprestou à Fox para fazer O Pecado de Cluny Brown, uma das poucas comédias de toda sua carreira e que seria o último filme do diretor Ernst Lubitsch.

Ainda em 1946, veio a quarta nomeação pelo faroeste épico Duelo ao Sol, tentativa de Selznick repetir o feito de ...E O Vento Levou. Assim como no clássico de 1939, Selznick se intrometeu na realização do filme do principio ao fim, demitindo e contratando diretores com a mesma velocidade e incoerência que as equipes de futebol costumam fazer com seus técnicos. Ele mesmo chegou a dirigir algumas sequências. Independentemente de sues problemas de bastidores, Duelo ao Sol traz umas das interpretações mais ousadas de Jones, como a sensual mestiça Pearl Chávez que se envolve com os irmãos Joseph Cotten e Gregory Peck.

A atriz fechou a década de 1940 com três filmes: O Retrato de Jennie, cultuado romance fantástico de William Dieterle; Resgate de Sangue, aventura ambientada em Cuba e dirigida por John Huston; e A Sedutora Madame Bovary, versão hollywoodiana para o romance de Flaubert e dirigida por Vincente Minnelli. Nenhuma destas interpretações foram lembradas pela Academia.

Ao longo dos anos 1950 a atriz manteve uma rotina mais ou menos constante de participar de um filme por ano. Em 1952, por exemplo, trabalhou ao lado de Laurence Oliver e sob a direção de William Wyler no drama Perdição por Amor, baseado no romance "Sister Carrie", de Theodore Dreiser. Apesar dos talentos envolvidos, o resultado final não agradou. No mesmo ano, Jones voltou a trabalhar com King Vidor, um dos muitos diretores que estiveram por trás de Duelo ao Sol, em A Fúria do Desejo. Sua personagem Ruby Gentry se aproxima de Pearl Chávez, na sensualidade e no modo como manipula os homens.

Em 1953, Jennifer Jones realizou dois trabalhos na Itália. O primeiro deles, sob a batuta de Vittorio de Sica e fazendo par romântico com Montgomery Clift, chamou-se Quando a Mulher Erra. A idéia inicial de Selznick era fazer uma espécie de refilmagem de Desencanto, clássico romântico que David Lean dirigira na década anterior. Contribuia para o projeto o fato de o produtor achar que sua esposa era uma versão mais jovem da britânica Celia Johnson, a protagonista daquele filme. No entanto, a produção foi sensivelmente prejudicado pelas intermináveis brigas entre De Sica e Selznick. Como bom americano, Selznick estava pouco se lixando para o status de mestre que o diretor italiano conquistara após os recentes lançamentos de Ladrões de Bicicleta e Umberto D. Ele não gostou nem um pouco da versão preparada por De Sica e não pensou duas vezes em cortar o que fosse preciso. Dos 90 minutos originais, a cópia lançada nos cinemas chegou com pouco mais de uma hora de duração.

O segundo trabalho realizado em 1953 foi O Diabo Riu por Último. Mais que um filme, essa produção foi uma grande diversão para o diretor John Huston e sua patota, da qual Humphrey Bogart e Peter Lorre não podiam faltar. Distribuído sem muito alarde na época, o tempo cumpriu a função de transformar O Diabo Riu por Último num objeto de culto.

Em 1955, Jones esteve naquele que é talvez seu filme mais conhecido do grande público, o drama romântico Suplício de uma Saudade. Ela vivia a médica eurasiana Han Suyin, que se apaixonava pelo jornalista americano interpretado por William Holden, durante a revolução comunista na China. Dirigido pelo burocrático Henry King (com quem ela já havia trabalhado em A Canção de Bernadette), Suplício de uma Saudade não resistiu bem à passagem do tempo. De toda a forma, o filme se vale dos carismas de Jones e Holden e da bela trilha sonora que embala a relação amorosa entre o casal central, conturbada pelos problemas de preconceito racial. Pelo papel, Jennifer Jones recebeu sua quinta indicação ao Oscar, mas foi derrotada por Anna Magnani.

Após participar de mais duas produções sem muita repercussão (O Homem do Terno Cinzento, de 1956, e O Céu em Teu Amor, de 1957), Jennifer Jones embarcou numa nova tentativa de David Selznick de produzir um novo ... E o Vento Levou. A oportunidade surgiu na adaptação de Adeus às Armas, segundo romance de Ernest Hemingway. O livro já havia sido adaptado para as telas pela Paramount no longínquo  ano de 1933 e Selznick achara que chegara a hora de a obra ganhar um novo tratamento. Para o papel da enfermeira Catharine, Selznick não abria mão de escalar sua esposa, muito embora a atriz fosse quase 20 anos mais velha do que a retratada no livro. Como em quase todos os trabalhos liderados por Selznick, os bastidores da produção, por si só, renderiam material para outros filmes. A um só tempo, ele conseguiu se desentender com Hemingway (por causa do problema da idade de Jennifer Jones), com John Huston, diretor inicialmente contratado para tocar o barco (ao final, o filme seria creditado a Charles Vidor), e com o fotógrafo Oswald Morris, que estaria dando um tratamento de luz mais favorável ao galã Rock Hudson. Com tantos problemas, não era difícil prever que dali não sairia boa coisa. Lançado em 1957, com toda a pompa e circunstância, Adeus às Armas foi um fracasso tão retumbante que David Selznick nunca mais voltou a produzir um novo filme.

Se a carreira de Selznick se encerrava ali, a de Jennifer Jones também acusou o golpe. Ela só voltou a trabalhar cinco anos depois (por insistência de Selznick) na adaptação do romance de F. Scott Fitzgerald, Suave é a Noite. Ela interpretava a mentalmente perturbada Nicole Diver, esposa do médico Dick Diver, vivido por Jason Robards (em papel inicialmente projetado para William Holden). Lançado em 1962 e dirigido daquele jeito pesadão típico de Henry King, o filme recebeu duras críticas na época. Entre os vários problemas do filme, destacava-se negativamente a falta de química entre Jones e Robards e a grande diferença de idade entre a Nicole imaginada por Fitzgerald (no fundo, uma versão da sua esposa Zelda), e a da atriz principal.

Três anos depois, em 1965, Selznick morreu. Juntos tiveram uma filha, a quem batizam de Mary Jennifer Selznick (e que se suicidaria em 1976, aos 21 anos de idade). A partir dali, Jones manteve-se numa espécie de retiro voluntário, evitando dar entrevistas (algo que sempre detestou) e sem se interessar em voltar ao cinema. De acordo com algumas fontes, ela teria tentado o suicídio em 1967, mas não há confirmação do fato. Em 1971, a atriz se casou com o empresário multimilionário Norton Simon. A união durou até a morte dele, em 1993.

Em 1974, numa espécie de canto de cisne, Jennifer Jones aceitou participar do filme-catástrofe Inferno na Torre. Numa produção em que o grande chamativo eram os espetaculares efeitos especiais, Jones sabia que não havia espaço para grandes vôos de interpretação. Ainda assim, ela acabou sendo indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante. Em 1981, ainda tentou uma volta às telas ao comprar os direitos de adaptação do livro Laços de Ternura, mas foi convencida pelo diretor James L. Brooks que ela era muito velha para interpretar a personagem de Aurora Greenaway. Dois anos depois, o filme foi lançado nos cinemas e o papel que Jones tanto queria representar caiu no colo de Shirley MacLaine, que, ironicamente, acabou sendo premiada com o Oscar.

Talvez pelo seu jeito tímido, discreto, reservado e aristocrático, Jennifer Jones sempre foi menos conhecida do público, se comparada com outras atrizes da sua geração, como Ingrid Bergman, Katharine Hepburn e Joan Crawford. Mas, no entanto, seu talento nunca foi colocado em xeque. Prova disso é que, ao lado de Bette Davis e Greer Garson (igualmente mais famosas), foi uma das poucas atrizes a ter conseguido emplacar quatro indicações seguidas ao Oscar (no caso dela, entre 1943 e 1946). Parece não haver muita dúvida de que sua submissão com David Selznick prejudicou sua carreira. Uma postura mais firme diante dos papeis que o marido quase lhe obrigava a interpretar poderia ter lhe poupado de algumas escolhas equivocadas, como Adeus às Armas e Suave é a Noite. Independentemente disso, o que fica no imaginário dos cinéfilos são as lembranças de suas grandes atuações, seja na pele de uma freira, seja na de uma sensual e fogosa mestiça.

Jennifer Jones morreu de causas naturais aos 90 anos, no dia 17 de dezembro de 2009, em Malibu, Califórnia.

Filmografia

Título Prêmios Ano Notas
Inferno na Torre
Lisolette
Globo de Ouro (indicação) 1974
6,6
Diabo Riu por Último, O
Srta. Gwendolen Chelm
1953
6,4
Desde Que Partiste
Jane Deborah Hilton
Oscar (indicação) 1944
Duelo ao Sol
Pearl Chavez
Oscar (indicação) 1946
7,2
Retrato de Jennie, O
Jennie Appleton
1948
8,1
Resgate de Sangue
China Valdés
1949
1949
Quando a Mulher Erra
Mary Forbes
1953
Fúria do Desejo, A
Ruby Gentry
1952
Perdição por Amor
Carrie Meeber
1952
Adeus às Armas
Catherine Barkley
1957
Oscar (indicação) 1945
1946
1956
Céu em Teu Amor, O
Elizabeth Barrett
1957
Coração Indômito
Hazel Woodus
1950
Wolf
Salvius
2019
Suplício de Uma Saudade
Dra. Han Suyin
Oscar (indicação) 1955
6,9
Canção de Bernadette, A
Bernardette Soubirous
Globo de Ouro (prêmio)
Oscar (prêmio)
1943
7,7