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Perfis

Foto de Ruth Prawer Jhabvala

Ruth Prawer Jhabvala

Idade
85 anos
Nascimento
07/05/1927
Falecimento
03/04/2013
País de nascimento
Alemanha
Local de nascimento
Cologne, North Rhine-Westphalia

Conheça vida e obra da autora, falecida em abril de 2013.

Nascida no exílio em Colônia, na Alemanha, em uma família polonesa fugida do nazismo, Ruth Prawer Jhabvala era terceira ponta da Merchant-Ivory Productions. Juntos, ela, o diretor americano James Ivory e o produtor indiano Ismail Merchant fizeram uma das mais conhecidas parcerias do cinema no início dos anos 90, estabelecendo de vez o chamado “cinemão inglês vitoriano” como nicho de mercado rentável e abrinho um certeiro caminho para prêmios. Jhabvala venceu dois Oscar por suas adaptações de livros de E. M. Foster para as telas, Uma Janela para o Amor (A Room with a View, 1986) e Howards End (idem, 1992). Morreu aos 85 anos em consequência de uma pneumonia.

Ruth era uma escritora de sucesso antes de começar a escrever roteiros. Seu romance Heat and Dust venceu o Booker Prize, a maior honraria literária britânica, em 1975, quando ainda considerava os roteiros um hobby. Ela própria escreveu a adaptação dessa obra para o cinema, sempre com a dupla Merchant Ivory, em 1983 (nem a Livraria Cultura nem o site Submarino retornaram nenhum livro dela em português em seus catálogos – ela provavelmente nunca foi traduzida no Brasil).

A parceria começou em 1963 com The Householder e durou 40 anos, até a morte de Merchant, em 2005, tendo gerado 22 filmes, sendo cinco livros de E. M. Foster – além dos dois já citados, Os Europeus (The Europeans, 1979), Um Triângulo Diferente (The Bostonians, 1984) and A Taça de Ouro (The Golden Bowl, 2000), sendo que o último, apesar de Nick Nolte e Uma Thurman no elenco, entre outros, nunca foi lançado comercialmente no Brasil, pois a parceria provou que, uma vez longe dos prêmios, os filmes iam bem mal de bilheteria.

Muitos pensam que Ruth era inglesa, tamanha a maestria na qual descreveu a sociedade vitoriana e britânica. Quase. Era filha de Marcus Prawer, um judeu polonês que, logo depois de ter fugido com a família para a Alemanha, teve de mudar novamente de país em 1939 por conta das perseguições de Hitler. Estabeleceram-se em Londres, onde a jovem Ruth começou a estudar inglês, tendo se formado em Literatura Inglesa pelo St. Mary College, da Universidade de Londres. Casou-se com o arquiteto Cyrus Jhabvala, indiano, e mudou-se com ele para Nova Déli, onde passou os próximos 25 anos escrevendo e cuidando das três filhas do casal.

Publicou o primeiro livro, To Whom She Will, em 1955. Seu agente americano conseguiu que tivesse alguns de seus contos publicados na revista New Yorker. Pela veia satírica, foi comparada a Jane Austen. Sua última coletânea de contos, A Lovesong for India, foi publicada em 2011, sempre lidando com os temas da cultura, imigrantes, exílio.

A dupla Merchant-Ivory primeiro a procurou, em 1960, para que ela escrevesse o roteiro de um de seus livros, The Householder, na qual ela dividiu os créditos da adaptação com Ivory. Em 1970, Ruth mudou-se para New York, deixando marido e filhas para trás. O motivo: sentiu-se pela primeira vez em casa, muito mais do que em Londres, Colônia ou Nova Déli. O casamento, no entando, sobreviveu – após a aposentadoria, o marido juntou-se a ela nos EUA.

O último filme do trio, já em decadência e com problemas em conseguir financiamento para novos projetos, foi O Divórcio (Le Divorce, 2003), um fiasco de crítica e público sobre uma americana em Paris. Antes disso, foi condecorada pela rainha Elizabeth II em 1998 e tornou-se “dame” pela sua contribuição à cultura britânica.

As poucas colaborações fora das produções Merchant-Ivory incluem Madame Sousatska (idem, 1988), em que Shirley McLaine interpreta uma irascível professora de piano. A mesma elegância, os mesmos diálogos mordazes, a mesma discussão das heranças culturais (a professora russa no filme tinha um brilhante mas indisciplinado aluno indiano), o exílio, a desraizamento. Ruth Prawer Jhabvala esteve à frente de seu tempo e descreveu a globalização e suas tensões culturais antes mesmo de o movimento se firmar. Para ela, não é tão diferente assim do colonialismo do século 18, com as mesmas repulsa e atração das elites brancas europeias pelo “exotismo” das demais culturas.

Será uma pena que Jhabvala passe para a história como a roteirista de empoeirados filmes como Vestígios do Dia (The Remains of the Day, 1993), sem dúvida deslumbrantes reconstituições de época defendidas por soberbos atores, mas a direção um tanto dura de James Ivory sempre impediu os filmes de alçarem vôo, apesar de terem dado a eles requinte e o aplomb necessários para ser considerados “de arte”. Talvez fosse melhor se fosse lembrada por seus impecáveis diálogos, como em Sr. e Sra. Bridge (Mr. & Mrs. Bridge, 1990), pela sua firme crítica ao colonialismo e sagacidade. Mas entre a afetação e a inteligência, nos dias de hoje dificilmente a segunda vencerá.

Filmografia

Título Prêmios Ano Notas
À Francesa
roteiro
2003
4,3
1985
7,1
1993
7,5
7,8
1992
7,1
1996
5,6
1984
1988
Cenas de uma Família
escrito por
1990
2000
2009
Luxúria
roteiro
1981
Magia do Guru, A
história
1969
Europeus, Os
roteiro
1979
Verão Vermelho
romance e roteiro
1983
1998
Jefferson em Paris
Roteirista
1995