Saltar para o conteúdo

Perfis

Foto de Susannah York

Susannah York

Idade
70 anos
Nascimento
09/01/1941
Falecimento
14/01/2011
País de nascimento
Reino Unido
Local de nascimento
Londres, Inglaterra

Conheça a vida e a carreira dessa atriz, que faleceu no primeiro bimestre de 2011.

Susannah York (seu nome verdadeiro era Susannah Yoland Fletcher) nasceu em 9 de janeiro de 1939, em Chelsea, no sudoeste de Londres. Seu pais, ele um banqueiro, ela, a filha de um diplomata, se casaram em 1935 e se divorciaram em 1943. No mesmo ano, sua mãe se casou novamente com um empresário escocês, e se mudou para lá.

Aos 11 anos, Susannah entrou no Marr College, na cidade de Troon, no território escocês de Ayrshire. Dois anos depois, se mudou para outro colégio, na cidade de Wispers, já na Inglaterra. De lá foi expulsa ao ser vista nadando nua na piscina da instituição, e transferida para uma escola em Northamptonshire, cidade localizada a mais ou menos 90 minutos de Londres.

O segundo casamento da sua mãe também não deu certo e ambas voltaram para Londres. Lá, ela se inscreveu no Royal Academy of Dramatic Art (RADA), e passou a levar a carreira artística mais a sério. Foi na RADA, que Sussanah conheceu o escritor Michael Wells, com quem se casou e teve dois filhos, Orlando, ator e dramaturgo, e Sasha. Susannah e Michael se divorciariam em 1976 (ou 1980, segundo algumas fontes).

Num belo dia, Susannah estava interpretando o papel de Nara, numa montagem de A Casa de Boneca, de Ibsen, quando um agente de Hollywood, interessado no que vira, se aproximou e lhe ofereceu o papel de Morag Sinclair, filha do personagem vivido por Alec Guinness, em Glória sem Mácula, de Ronald Neame. Susannah tinha apenas 21 anos, era desconhecida de Deus e do mundo, mas mesmo assim estava sendo convidada para trabalhar com um dos maiores nomes do teatro e do cinema inglês da época, cujo nome era reconhecido até nos EUA (ele ganhara o Oscar três anos antes por A Ponte do Rio Kwai). A proposta era muito boa pra ser verdade. Susannah se beliscou, viu que não era sonho, e, claro, resolveu aceitar. Apesar de já ter aparecido em alguns telefilmes britânicos, na prática, sua carreira no cinema começava ali.

No ano seguinte, foi chamada para viver a protagonista do romance O Fruto do Verão, ao lado de Kenneth More e Danielle Darrieux, e direção de Lewis Gilbert. York interpretava uma jovem de 16 anos que, em férias na França, se sente atraída por um misterioso homem de meia idade (More). Susannah recebeu muitos elogios pela sua composição, mas o filme era leve demais para deixar uma maior impressão e o fracasso foi inevitável.

O revés não a impediu de ser continuar sendo chamada para produções de primeira linha. Uma delas, de 1962, foi Freud, Além da Alma, de John Huston. York viveu Cecily Koertner, a mais famosa das pacientes do psicanalista. Koetner era um prato cheio para qualquer profissional do ramo: era sexualmente reprimida, tinha sinais de histeria, além de sofrer do Complexo de Electra (obsessão pelo pai). Por meio de várias sessões de hipnose, Freud (encarnado por Montgomery Clift) revoluciona a ciência ao comprovar a existência do inconsciente como um reservatório de lembranças traumáticas reprimidas. Ficaram famosas as brigas de bastidores entre o diretor John Huston e o filósofo Jean-Paul Sartre sobre a concepção do roteiro. Com um personagem tão desafiador, York deitou e rolou. Mesmo jovem, aos 22 anos, ela não deixava a peteca cair ao contracenar com Clift, rato da Actor´s Studio, e àquela altura já reconhecido como um dos maiores atores americanos da época.

Sua composição em Freud, Além da Alma a guindou para uma das principais produções britânicas de 1963: As Aventuras de Tom Jones, adaptação do extenso romance de Henry Fielding. Susannah viveu Sophie Western, o interesse romântico do protagonista, vivido por Albert Finney. A obra atravessou o oceano, fez sucesso nos EUA, e surpreendeu a todos ao ganhar os principais Oscars daquele ano, inclusive melhor filme e direção. No futuro, York confessaria que teria recusado o papel por diversas vezes porque queria se dedicar ao teatro. Segundo ela, a mudança de opinião se deu após se sentir culpada ao preparar uma desastrosa refeição para o diretor Tony Richardson e sua esposa, Vanessa Redgrave.

Seu nome, agora, estava consolidado. Ao lado de Julie Christie, Sarah Miles e Rita Tushingham, Susannah York era uma das atrizes mais recebia propostas de trabalho. Entre 1964 e 1966, esteve em três filmes: na aventura de guerra A Sétima Aurora, de Lewis Gilbert, no épico Perdidos no Kalahari, de Cy Endfield; e na comédia romântica Um Jogador Romântico, de Jack Smight.

Se nenhum desses filmes deixou uma maior impressão, ao menos deixaram o caminho aberto para sua participação na adaptação da peça de Robert Bolt, O Homem que Não Vendeu Sua Alma. Susannah interpretou Margaret, filha do filósofo Thomas More (Paul Scofield), e que testemunhou a ruptura do seu pai com o reino da Inglaterra, quando o Rei Henrique VIII (Robert Shaw), contrariando as regras da Igreja Católica, decidiu se separar da sua esposa Catarina de Aragão para casar-se com a jovem Ana Bolena (Vanessa Redgrave). Ao lado de um elenco como esse, todo ele conduzido pela mão convencional mas segura do veterano Fred Zinnemann, não tinha como a coisa dar errado. E não deu mesmo: O Homem que Não Vendeu Sua Alma foi o vencedor do principais Oscars de 1966, inclusive melhor filme e direção. Assim como já acontecera em As Aventuras de Tom Jones, Susannah York não foi lembrada pela Academia.

Em 1968, Susannah voltou a participar de uma produção importante: Três Mulheres na Intimidade (também conhecido no Brasil como Triângulo Feminino), adaptação da peça de Frank Marcus, que estreara na Broadway em 1966, e que contava a história de um amor lésbico. Robert Aldrich, recém saído do mega sucesso de bilheteria Os Doze Condenados, e àquela altura já com seu próprio estúdio, estava com todas as balas na agulha para tocar o projeto que bem entendesse. Sua primeira opção foi verter para a tela grande a peça de Marcus. Para o papel principal, Aldrich optou por Beryl Reid, que já vinha desempenhando o personagem nos palcos (e pelo qual até recebera um Tony em 1967). Já para o papel da sua parceira, o diretor descartou a atriz que a interpretava no teatro (Eileen Atkins) e, em seu lugar, chamou Susannah York. Além de ser tão talentosa quanto, Susannah era um nome muito mais conhecido do grande público, o que significava maior retorno de bilheteria. O papel caiu como uma luva para York, que estava louca para desconstruir sua imagem de Rosa Inglesa ou de loira ingênua de olhos azuis. O filme teve problemas ainda durante a rodagem (o diretor e seu compositor Frank Vol ficaram sem se falar durante anos por causa de divergências sobre o tom da cena de amor entre as protagonistas) e posteriormente no lançamento, por causa da classificação de censura. Talvez por todas essas dificuldades, Aldrich nunca escondeu que Três Mulheres na Intimidade era seu filme favorito.

1969 foi um dos anos mais movimentados da carreira de Susannah York. No espaço de 12 meses, ela apareceu em quatro filmes: nos dois primeiros (o musical Oh! Que Bela Guerra, de Richard Attenborough, e o drama de guerra A Batalha Britânica, de Guy Hamilton), ela era mais um nome no meio de um enorme elenco de atores, de várias nacionalidades, sem tempo de tela para desenvolver adequadamente seu personagem. Esteve numa pouco vista comédia Lock Up Your Daughters, ao lado de Christopher Plummer. E por fim, teve um de seus melhores desempenhos como Alice, no drama A Noite dos Desesperados, de Sidney Pollack, baseado no romance They Shoot Horses, Don´t They?, de  Horace McCoy. Ao lado de Jane Fonda, Michael Sarrazin, Gig Young, Red Button, Bruce Dern, e Bonnie Bedelia, Susannah brilha como uma das dançarinas que, em troca de algum dinheiro, se sujeita às maiores humilhações em maratonas de dança que eram promovidas nos EUA, durante a Grande Depressão. A Noite dos Desesperados foi indicado a nove Oscars e, dessa vez, Susannah York, com seu retrato de uma Jean Harlow em decadência,  estava entre eles. Ao final da noite, York viu a estatueta parar nas mãos Goldie Hawn, pela comédia Flor de Cactus, talvez a candidata mais fraca entre as concorrentes.

A década de 1970 marcou o começou do declínio da careira de Susannah. No entanto, ao menos nos primeiros anos, essa queda não foi sentida. Em 1971, esteve em Feliz Aniversário, Wanda June, adaptado da peça de Kurt Vonnegut Jr. (o mesmo de Matadouro 5); em 1972, dividiu a cama com Michael Caine e Elizabeth Taylor na comédia britânica X, Y e Z (que chegou a ser indicada ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro); e no mesmo ano, como uma autora de livros infantis que sofre de esquizofrenia, ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes por Imagens, mais um daqueles filmes sem pé nem cabeça que Robert Altman teimava em fazer época.

Na segunda metade da década, Susannah continuou alternando suas escolhas entre papeis mais artísticos (As Criadas, versão da peça de Jean Genet, e Estranho Poder de Matar, filme que levou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes em 1978) e outros mais comerciais (A Maldição do Ouro, A Honra do Regimento, Fortaleza do Inferno e Parceiro do Silêncio). Em 1978, foi convidada para interpretar Lara, a mãe biológica de Karl-El, no blockbuter Supeman - O Filme, de Richard Donner. Dois anos depois, York aceitou o convite do diretor Richard Lester para repetir o personagem, quando esse assumiu o comando da série. No fundo – e a própria Susannah não era tola para não perceber isso – sua presença em Superman II - A Aventura Continua era motivada pelo impasse salarial entre o estúdio e Marlon Brando, seu marido no capítulo anterior e que sempre fora a primeira opção (em 1987, ela ainda apareceria no último episódio da franquia: Superman IV - Em Busca da Paz). Em 1980, colaborou no roteiro (seu único crédito nessa função) e fez parte do elenco da comédia-romântica Quando o Amor Renasce, estrelado pela novata Michelle Pfeiffer.

A partir daí, talvez pelo avanço da idade e por saber como as coisas funcionavam em Hollywood, a atriz percebeu que os bons papeis começavam a se tornar escassos. Por isso mesmo, deixou sua carreira naturalmente migrar para produções de televisão e do teatro, espaços em que ela se sentia valorizada e desafiada como atriz. Entre um trabalho e outro, achou tempo para escrever. Lançou dois livros infantis: In Search of Unicorns (1973) e Lark´s Castle (1975). Em 1978, pelas mãos do produtor Richard Jackson e da diretora Simone Benmusa, ela apareceu no Teatro New End, em Londres, para uma montagem de The Singular Life of Albert Nobbs, baseado no conto de George Moore. A parceria deu tão certo, que ela voltou aos palcos para interpretar versões dos textos de Jean Cocteau e Henry James. Ao longo do anos 1990, com os filhos já encaminhados, ela se viu livre para dar uma nova guinada em sua carreira ao interpretar vários textos de Shakespeare pelos palcos ingleses e escoceses.

Durante os anos 2000, Susannah permaneceu atuando, ora em telefilmes, ora em filmes produzidos diretamente para cinema, ora no teatro. Manteve até o fim sua juventude, seu conhecido temperamento difícil (em 1969, ao ser indicada ao Oscar, declarou que se sentia ofendida por ser nomeada a um prêmio sem o seu consentimento) e seu senso de justiça (lutou contra a destruição da flora mundial e pelo desarmamento nuclear de Israel). Encarava seu ofício com um misto de pragmatismo e idealismo. Talvez isso explique a queda de qualidade de seu currículo a partir da segunda metade dos anos 70. Afinal, os filmes ruins também serviam para levar dinheiro para casa e colocar comida na mesa. Por ser tão prática, desprezava o estrelato e o glamour que faziam parte do pacote que acompanhava sua profissão. Sabia que a mídia alimentava uma imagem falsa dos atores – dela inclusive. E o que ela não queria era decepcionar ou frustrar seu público.

No final de 2010, quando estava no meio de uma turnê da peça Quarteto, de Ronadl Harwood, soube que estava com câncer. Por questões contratuais, recusou-se a passar pelas sessões de quimioterapia. Faleceu em janeiro de 2011, seis dias após completar seu 72º aniversário. O jeito desbocado e a postura de trabalhar até o fim coincidem com as palavras, que segundo ela, a resumiriam como pessoa e profissional: “Atriz trabalhadora, que anseia por interpretar personagens alcoólatras, asquerosos e indecentes. Também sabe fazer comédias.

Filmografia

Título Prêmios Ano Notas
1978
7,1
7,3
1963
6,4
1966
7,4
7,7
1980
6,5
6,7
1987
3,8
Globo de Ouro (indicação)
Oscar (indicação)
1969
7,9
Gigolôs, Os
Tessa Harrington
2006
2008
5,8
Freud, Além da Alma
Cecily Koertner
Globo de Ouro (indicação) 1962
7,6
Glória Sem Mácula
Morag Sinclair
1960
Triângulo Feminino
Alice 'Childie' McNaught
1968
X, Y e Z
Stella
1972
Mio na Terra da Magia
A Mulher Weaver
1987
Parceiro do Silêncio
Julie Carver
1978
Estranho Poder de Matar
Rachel Fielding
1978
Imagens
Cathryn
Festival de Cannes (prêmio) 1972
7,9
Jogador Romântico, Um
Angel McGinnis
1966
Perdidos no Kalahari
Grace Munkton
1965
Reencarnação
Jane Turner
1980
Sebastian
Rebecca Howard
1968
Honra do Regimento, A
Sra. Marjorie Scarlett
1975
Batalha Britânica, A
Maggie Harver, oficial de sessão
1969
Nas Profundezas do Medo
Carolyn Perry
2003
Maldição do Ouro, A
Terry Steyner
1974
Golpe Perigoso
Dinah Booker
1981
Conto de Natal, Um
Sra. Cratchit
1984
Criadas, As
Claire
1975
Fruto de Verão
Joss Grey
1961
1971
Roleta Americana
ela mesma
1988
Sétima Aurora, A
Candace Trumpey
1964
História de Amor, Uma
Sra. Narracombe
1988
Título Prêmios Ano Notas
Imagens
livro
1972
7,9