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Cineplayers Cast

#95 - Apocalypse Now

Um dos grandes clássicos dos filmes de guerra, Apocalypse Now está completando 40 anos e o Cineplayers aproveitou a oportunidade para fazer um podcast completo sobre ele.

Rodrigo Cunha, Bernardo Brum, Heitor Romero e Régis Trigo unem-se para responder todas as perguntas: por que o filme é tão bom? A bagunça de Coppola deu certo? Como? Quais são as passagens mais clássicas? E o diferencial para os filmes de hoje?

Simbora junto em mais um Cineplayers Cast!

SPOILERS DAS TRÊS HORAS COMPLETAS


Duração: 108 minutos

Edição: Edu Aurrai

Comentários (23)

CitizenKadu | segunda-feira, 14 de Setembro de 2020 - 15:01

E tampouco defendo a questão francesa dos anos 60 do auteur como " a única forma de se ver cinema"; mas quando eu vou ler um Graciliano Ramos, por exemplo, se eu pouco sei da vida dele pouco entenderei. Quanto menos eu souber de Caravaggio e Picasso, menos eu vou conseguir entender porque um é desesperado, e porque o outro sempre se reinventa. Quanto eu menos souber de Mozart ou Schubert, menos eu vou entender D. Giovanni, ou o porquê das músicas de Schubert terem uma certa angústia.Se não fosse Shakespeare explicitar um monte de questões humanas em "Hamlet", pouco importaria a encenação ou os atores.

CitizenKadu | segunda-feira, 14 de Setembro de 2020 - 15:10

Sim , na verdade eu discordo pouco de ti, nem sempre é Uno o autor de um filme. Mas eu considero( e isso é uma opinião particular) que sempre há um valor a mais quando tu encontra uma mente autora por trás do mesmo, mas daí é uma questão de opinião (inclusive quando o próprio autor renega sua autoria, pra mim é uma atitude autoral). Tu citaste "Hiroshima Mon Amour" e disse não deixar de reconhecer os atores e o roteirista. Devo reconhecer que tu pega bons exemplo no cinema, vide que este filme tem a estrutura da Duras, mas em compensação se o cinema autoral não tivesse surgido, nem a premissa do filme teria passado, o filme é um conjuntura da politica do auteur. Mas é óbvio que eu te entendo, é como uma gangorra, a arte nunca será exata.

CitizenKadu | segunda-feira, 14 de Setembro de 2020 - 15:09

Essa forma de ver, pode até priorizar um autor, mas não elimina a possibilidade de colaboração. "Hiroshima Mon Amour" pode ter 2 autores, um escreveu e o outro dirigiu, porque tu vê tanto Duras quanto Resnais no filme. Não considero nada exato na arte, mas quanto mais eu procuro o psicológico do autor, mais eu entendo a obra. E sim, teve um movimento no Hitch dos anos 20 na verdade, até os anos 70; mas ele sempre carregou as marcas de sua psiquê. Do diretor que era traumatizado com a polícia e ironizava o casamento dele com thrillers (tipicamente inglês)...até o machismo cultural óbvio de Marnie e Os Passaros. Ele nunca deixou de mostrar que era ele nos filmes. E mesmo não sendo necessário todo diretor ser autor, aqueles que deixam estas marcas da personalidade e do psicológico, com temas freudianos e arquétipos junguianos(como Fellini ou até mesmo um jovem Tim Burton, não importa estilo ou suposta qualidade, por ex.), pra mim são o norte para a análise da obra.

Luís F. Beloto Cabral | segunda-feira, 14 de Setembro de 2020 - 16:25

São uma das possibilidades de leitura sim, sem dúvidas. E eu não descarto o fator biográfico para a compreensão das obras. Em alguns casos realmente agrega muito e até dá outras nuances desapercebidas (tipo os signos falicos e os operários fortes e viris nos filmes do Einsenstein e o fato do cara ser homossexual). Mas pra mim não é a única possibilidade de leitura, seja porque outras agências estão em jogo, seja pelas coisas que os próprios autores não controlam plenamente. Fora a nossa perpétua capacidade de ressignificar na nossa constelação própria de referências o que nós estamos vendo/ouvindo, e o cinema aliás foi um veículo ativo disso, do Chris Marker digredindo sobre Vertigo em Sans soleil ao Fantasia da Disney que faz um ballet de hipopótamos com a Dança das horas. O simples fato de termos tantas adaptações literárias e teatrais no cinema indica esse trânsito e abertura - e o Bazin tem um texto lindo sobre adaptação da literatura no cinema.

Luís F. Beloto Cabral | segunda-feira, 14 de Setembro de 2020 - 16:27

P.S.: eu estou morrendo de calor e o meu quintal está coberto de cinzas. Eu odeio essas queimadas. Eu odeio o Bolsonaro e o seu clube.

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