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Cobertura do Oscar 2007

Foi uma festa e tanto. Longa, mas não tão cansativa quanto nas últimas edições (apesar de maior de todos os tempos), o teatro Kodak, em Los Angeles, mais uma vez foi o palco onde as maiores estrelas do cinema norte-americano se encontraram para saber quem levaria para casa os prêmios de melhores do ano - mais conhecido como Oscar, em sua 79ª edição, você já deve ter ouvido falar.

Apresentado por Ellen DeGeneres, conhecida mais pelo seu trabalho na TV e com piadas bem mais elegantes que nos últimos anos, parece que muitas das partes chatas foram cortadas - ou eu estava mais bem humorado do que nas últimas edições, pois achei tudo divertido, no seu tempo, sem enrolar demais e com algumas passagens muito bacanas (e, como essa edição foi maior do que as outras, a sensação de que tudo passou rápido é muito boa).

Quanto à premiação, impossível não destacar a grande vitória de Os Infiltrados. Um filme sem cara de Oscar, cuja vitória até me lembrou O Silêncio dos Inocentes, faturou quatro das cinco estatuetas que disputava (filme, diretor, edição e roteiro adaptado), muito mais voltado para o entretenimento pesado (Scorsese retornando aos filmes de gângsters, gênero que o consagrou nos anos 90) do que para o engajamento mundial (como Babel e, porque não, Pequena Miss Sunshine, que acreditava serem candidatos mais fortes ao prêmio).

Claro que o destaque principal disso tudo foi a premiação de Martin Scorsese como Melhor Diretor ("Vocês tem certeza que meu nome está aí mesmo? Não foi um engano?"). Depois de bater na trave por várias vezes (tornando-se até um peso para a Academia), era, possivelmente, o Oscar mais manjado de todos os tempos. E os produtores sabiam disso, tanto que colocaram Steven Spielberg (que abriu o envelope e disse o vencedor), George Lucas e Francis Ford Coppola no palco para anunciar, três dos maiores amigos de Scorsese. Era óbvio que ele iria ganhar, e assim aconteceu. Foi também um dos textos mais bem escritos da noite, quando os três brincaram que sabem como é ganhar um Oscar de diretor ("eu não sei", diz Lucas com extremo bom humor). Previsível, mas realmente divertido e emocionante (pela reação de Scorsese, claro).

Outra categoria que merece destaque foi o prêmio de Melhor Ator. Todos sabiam que Forest Whitaker (inúmeros papéis na carreira como "policial superior coadjuvante da dupla principal" em filmes policiais) era o franco favorito, mas a expressão de surpresa de Peter O'Toole (indicado por seu papel em Vênus) quando o vencedor foi anunciado foi de dar pena. De verdade mesmo. Esse é outro que não foi premiado pela Academia, nem pela sua atuação, na década de 60, em Lawrence da Arábia (sem contar o Oscar Honorário pela carreira recebido em 2003, obviamente, referia-me apenas a trabalhos individuais).

Alan Arkin, veterano ator vencedor por seu papel em Pequena Miss Sunshine, foi uma das surpresas da noite, uma vez que Eddie Murphy era, disparado, o favorito por sua atuação em Dreamgirls. Já Helen Mirren, de A Rainha, e Jennifer Hudson, também de Dreamgirls, eram apostas certas para a estatueta de Atriz e Atriz Coadjuvante, e assim o destino confirmou. Outro destaque ficou por conta do mexicano O Labirinto de Fauno, que faturou importantes prêmios técnicos, como Maquiagem, Fotografia e Direção de Arte, mas que perdeu o Oscar de Filme Estrangeiro para o alemão A Vida dos Outros, quando todos achavam que o filme de Del Toro, pelo que já havia ganho na noite, estava no papo.

Acho que havia sido um dos poucos a acreditar que Happy Feet - O Pingüim pudesse levar o Oscar de animação para casa, já que os dois concorrentes, Carros e A Casa Monstro, estavam melhor cotados. Como previ (não cheguei a anunciar isso no site), o pingüim saiu vencedor por ter mais cara de Oscar mesmo, ser um filme mais profundo que os outros dois (um é nostálgico e o outro é mais uma aventura pesada infantil), com uma mensagem mais forte e mais "artístico", se podemos dizer assim (não se entregou a maneirismos de época, é mais clássico que os outros, mas com seu charme de atualidade).

Babel, uma das promessas da noite, ficou apenas com o Oscar de Trilha Sonora, enquanto Cartas de Iwo Jima, versão nipônica da Guerra de Clint Eastwood, ficou com Edição de Som. Maria Antonieta, novo filme de Sophia Coppola (ainda inédito no Brasil), levou Figurino para casa.

Nos documentários, destaque total para a consciência de Al Gore (que perdeu as eleições presidenciais norte-americanas para Bush) e seu Uma Verdade Incoveniente, que era mais do que óbvio que iria ser premiado (chegou a ter um quadro durante a premiação, antes de receber a estatueta por Melhor Documentário). Venceu também Carros e as três indicações de Dreamgirls (que até prejudica o filme, uma vez que os votos são dividos por três) na categoria de Melhor Canção Original, com direito a selinho de Melissa Etheridge em sua companheira e tudo.

Dois momentos sentimentais marcaram bastante a festa também: a famosa lista das celebridades que faleceram entre uma edição e outra (você deve ter ficado por dentro da lista, já que praticamente somos um obituário de Hollywood), encabeçada por Robert Altman, e o Oscar Honorário entregue por Clint Eastwood (ninguém mais apropriado) para Ennio Morricone, que fez mais de 400 trilhas sonoras, inclusive as mais famosas dos filmes de Clint (em seus faroestes com Sérgio Leone).

Para finalizar, um comentário bem "fofoqueiro". Que visual era aquele do meu ídolo Jack Nicholson, hein? Ficou bem estranho, hehe.

Até 2008, pessoal!

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